Ilusões

Jenario de Fátima

 


Como o poeta que escreve na areia,
Versos que o mar encobre sem demora,
Como o forte raio que o céu braseia,
Clareando o espaço e indo logo embora.

 


Como a vela branca que dança e ondeia,
Desaparecendo oceano afora
Tal qual arco-iris que no olhar tonteia
E em breve instante se esvai, descolora.

 


As ilusões são sempre deste jeito,
Ficam breve tempo, mas logo se soltam
De esperança tomam e enchem o peito

 


E os nossos sonhos protegem, escoltam
Mas sem que ninguem possa entender direito
Vão se quase sempre e nunca mais voltam

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